Quebra de patente: debates e deliberações nas Conferências Nacionais de Saúde

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.18310/2446-4813.2026v12n1.4728

Palabras clave:

Conferência Nacional de Saúde, Controle Social, Direito à Saúde, Licenciamento Compulsório, Quebra de Patente

Resumen

A 8ª Conferência Nacional de Saúde, ocorrida em 1986, foi o grande marco da participação da sociedade nos debates e deliberações da política pública de saúde, espaço do qual também resultou o capítulo da Saúde da Constituição Federal de 1988, com o entendimento da determinação social da saúde e necessidade da garantia de direitos a todas as pessoas. No escopo da Política de Saúde, insere-se a assistência farmacêutica, que incorpora a perspectiva da soberania nacional, investimento em ciência e tecnologia, para garantir medicamentos e insumos de forma regulada, com vias à equidade de acesso, tendo como eixo estruturante o direito à saúde, na qual se insere uma relevante discussão: o licenciamento compulsório, conhecido popularmente como “quebra de patente”. Nesse sentido, esse artigo objetivou fazer um recorte dos debates e propostas aprovadas nas Conferências Nacionais de Saúde no que se referem à “quebra de patentes”. Para tanto, será um estudo documental, exploratório-analítico, que elencará, a partir da aparição das palavras ‘patente’ ou ‘licenciamento’ que serão destacadas em um gráfico, as ideias centrais e discursos-síntese encontrados nos documentos analisados como prática discursiva nas propostas aprovadas e constantes nos Relatórios Finais das Conferências Nacionais de Saúde (da 8ª até a 16ª). No trajeto histórico por meio das Conferências Nacionais de Saúde, a partir da 8ª, as propostas refletiram - refletem – o contexto sócio-histórico-político-cultural nas quais estão inseridas. Aponta-se o papel imprescindível do povo na luta por direitos e construção e deliberação de políticas públicas, institucionalmente por meio dos Conselhos e Conferências.

Biografía del autor/a

  • Priscilla Viégas Barreto de Oliveira, Universidade Federal de Pernambuco

    Formada em Terapia Ocupacional, na Universidade Federal de Pernambuco. Interesse nos estudos das relações entre gênero e família, Terapia Ocupacional e Trabalho, saúde mental, saúde coletiva e políticas públicas. Fez Especialização na modalidade Residência Multiprofissional em Saúde Mental, na Universidade de Pernambuco, com realização de ações no município de Camaragibe - PE, tanto ao nível territorial, na Atenção Básica com o NASF, quanto ao nível especializado, nos CAPS. Mestra em Direitos Humanos pelo PPGDH - UFPE. Doutoranda em Inovação Terapêutica pelo PPGIT-UFPE. Foi Diretora Financeira da Associação Brasileira dos Terapeutas Ocupacionais (ABRATO), gestão 2015-2019 e Vice-presidenta 2020 até abril/2021. Foi representante Titular da ABRATO e Coordenadora no Fórum das Entidades Nacionais de Trabalhadoras(es) da Área de Saúde (FENTAS). Conselheira Nacional de Saúde, membra da Mesa Diretora e Coordenadora Adjunta da Comissão Intersetorial de Atenção à Saúde das Pessoas com Deficiência (CIASPD / CNS), gestão 2018-2021. Conselheira Suplente no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 1a Região - CREFITO 1. Conselheira pelo CREFITO 1 no Conselho Municipal de Política sobre Drogas Recife (COMPAD Recife). Conselheira pelo SINFITO no Conselho Estadual de Assistência Social (CEAS). Tutora da Residência Multiprofissional em Saúde da Família de Jaboatão dos Guararapes - PE.

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Publicado

2026-03-18

Número

Sección

Artigos Originais

Cómo citar

Viégas Barreto de Oliveira, P. (2026). Quebra de patente: debates e deliberações nas Conferências Nacionais de Saúde. Saúde Em Redes, 12(1), 4728. https://doi.org/10.18310/2446-4813.2026v12n1.4728