Doença de Chagas cardíaca crônica na Atenção Primária à Saúde: relato de experiência do processo de notificação compulsória e classificação dos casos
DOI:
https://doi.org/10.18310/2446-4813.2026v12nsup3.4920Palavras-chave:
Doença de Chagas, Cardiomiopatia chagásica, Atenção Primária à Saúde, Estudo de intervençãoResumo
Objetivo: avaliar a viabilidade de implantação de um fluxo para diagnóstico, notificação e classificação de casos de doença de Chagas cardíaca crônica na atenção primária à saúde no município de Patos de Minas- MG. Relato de experiência: Os participantes do estudo foram acompanhados entre setembro de 2023 e junho de 2024. Para a notificação compulsória da doença de Chagas crônica é necessário cadastro e posterior liberação de acesso por gestor municipal, estadual ou federal, o que, nessa experiência, demonstrou-se ser um processo burocrático, confuso e ineficiente. Houve baixa adesão para a realização exames sorológicos confirmatórios (16; 48,5%). Para a realização dos exames cardiológicos também não houve adesão completa dos pacientes recrutados: eletrocardiograma (31; 93,9%), radiografia de tórax (31; 93,9%) seguidos pelo ecocardiograma (29; 87,9%) e holter (24; 72,7%). Houve um caso de doença de Chagas cardíaca autorreferido que não teve comprovação sorológica e que não tinha nenhum dano cardiológico. O viés de memória dos pacientes dificultou a pesquisa em relação a aspectos sobre início da doença, diagnóstico pregresso entre outros aspectos epidemiológicos. Esses achados podem estar associados à média de idade elevada dos pacientes (68,9 ± 9,5 anos). Diante disso, foi proposto um protocolo de diagnóstico e acompanhamento da doença de Chagas cardíaca crônica adaptado para a realidade local. Conclusão: O processo de notificação da forma como está disposto atualmente pode prejudicar sobremaneira as estimativas da prevalência da doença de Chagas crônica no país. A baixa adesão dos pacientes recrutados para testagem sorológica, associado a elevada faixa etária, chama a atenção para a necessidade de busca ativa das equipes de saúde nas comunidades, sobretudo em áreas de intensa transmissão no passado. Exames cardiológicos são importantes para a classificação dos casos em relação ao risco de óbito, estadiamento cardíaco e direcionamento adequado para os diferentes níveis de atenção em saúde.
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