Violência Obstétrica: perspectiva de médicos professores de Obstetrícia

Luiz Antônio da Silva Teixeira, Andreza Pereira Rodrigues, Thais Carneiro Leão Lima, Diogo Eiras Pontes, Lucia Regina de Azevedo Nicida

Resumo


Objetivo: analisar a percepção de médicos professores de obstetrícia sobre violência obstétrica. Método: trata-se de uma pesquisa qualitativa, baseada em entrevistas semiestruturadas, com dez obstetras que atuam como docentes de uma faculdade de Medicina na cidade do Rio de Janeiro. O projeto foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados: a discussão captou diferentes nuances do tema proposto, tais como os múltiplos sentidos do termo violência obstétrica; os diferentes pontos de vista sobre a autonomia das mulheres; sobre o papel das políticas públicas em questão ao problema e as críticas ao que os médicos entendem como violência reversa. Observa-se que grande parte dos médicos professores desconhece a acepção específica do termo e o acha inadequado e ofensivo à categoria médica. Resumem a violência obstétrica a agressões físicas e pensam a autonomia das mulheres como uma instância que deve ser limitada pela autoridade médica. Embora conscientes do problema, apresentam uma postura defensiva frente a questão, vendo-a como uma forma de diferentes grupos se voltarem contra sua corporação. Conclusão: tendo em vista a importância da atuação do professor na formação dos médicos e o fato de que para além da formação técnica, o contato com os professores formata comportamentos, reflexões, práticas e até mesmo valores dos acadêmicos, conclui-se que é necessário a desmitificação da violência obstétrica, tendo como base o maior conhecimento docente sobre os aspectos mais controversos da humanização do parto e maior reconhecimento do das questões de poder e autonomia que subjazem a relação dos médicos com as parturientes.


Palavras-chave


Parto; Violência Obstétrica; Obstetrícia; educação Superior; Educação Profissional

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PORTUGUÊS

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DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2021v7n3p%25p

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