ENTRE AS VIOLÊNCIAS, O MEDO E O PROTAGONISMO SOCIAL: VIVÊNCIAS EM UM DISTRITO DE SAÚDE, PORTO ALEGRE, 2016

Autores

  • Evirlene de Souza da Fonseca Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Stela Nazareth Meneghel

DOI:

https://doi.org/10.18310/2446-4813.2016v2n3p281-291

Palavras-chave:

Violência estrutural, determinantes sociais, território de violência

Resumo

Atualmente, é notória a problemática latente do fenômeno da violência em Porto Alegre e no Brasil, o que nos instiga a compreender e apreender mais sobre este fenômeno. Objetivo desta pesquisa é descrever como a violência estrutural e suas possíveis consequências estão sendo percebidas pelos diferentes atores (ensino, serviço e comunidade), que atuam ou vivem em uma das regiões de saúde de Porto Alegre. Apresenta-se a perspectiva de relato de experiência, baseada em intervenções individuais, grupais e comunitárias, dentre as quais se destacam visitas à comunidade, seminários com equipes de serviços e alunos, observação participante e análise de relatos verbais e de mídias. O material empírico foi analisado de acordo com quatro grandes categorias ou temas: o medo, a articulação frente à violência, a estigmatização da violência e o protagonismo dos atores em relação às manifestações da comunidade, do serviço e do ensino sobre a violência. Como resultados constatou-se que o medo tem se tornado um sentimento forte entre os diversos atores no território e esse sentimento produz estigmatização, ao mesmo tempo em que interfere na articulação de redes e no protagonismo social, porém considerar o medo como o elemento central na compreensão da violência pode ser o caminho para conclusões equivocadas. Conclui-se que a violência estrutural origina-se de um contexto histórico, social e político e precisa ser entendida em sua gênese e determinantes pelos atores que vivem, estudam ou trabalham no território.

Biografia do Autor

Stela Nazareth Meneghel

Docente e pesquisadora do Bacharelado Saúde Coletiva e do PPG em Saúde Coletiva, (PPGCOL) e PPG Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Referências

Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde (Brasil). Impacto da violência na saúde dos brasileiros. Brasília: Ministério da Saúde; 2005.

Chauí M. Participando do debate sobre mulher e violência. In: Cardoso R, Chauí M, Paoli MC. Perspectivas antropológicas da mulher - 4: sobre mulher e violência. Rio de Janeiro: Zahar Editores; 1985. p. 25-62.

Minayo MCS. Violência e saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2006.

Organização Mundial da Saúde. Relatório mundial sobre violência e saúde [Internet]. Genebra, 2002. [citado em 05 jan 2016] Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs /publicacoes/impacto_violencia.pdf.

Mello ME. Acolhimento e diagnóstico de mulheres em situação de violência. In: Teixeira EMF, Meneghel SN. Dicionário feminino da infâmia. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2015. p. 370-372.

Arendt H. Poder e violência. Rio de Janeiro: Relume Dumará; 2001.

Minayo MCS, Deslandes SF, Neto OC, Gomes R. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 31.ed. Rio de Janeiro: Vozes; 2012.

Ramão SR, Meneghel SN, Oliveira C. Nos caminhos de Iansã: cartografando a subjetividade de mulheres em situação de violência de gênero. Psicol soc [Internet]. 2005 [citado em 12/01/2016]; 17(2):1-9. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo. php?script=sciarttext &pid=S0102-71822005000200011&lang=pt#not1.

Meneghel SN, Bairros F, Mueller B, Monteiro D, Oliveira LP, Collaziol ME. Rotas críticas de mulheres em situação de violência: depoimentos de mulheres e operadores em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Cad Saúde Pública. 2011;27(4):743-750.

Gavíria RM. Medo ao poder e poder do medo na construção de um território de violência. In: Russo M, Teixeira AN, Santos JVT. Violência e cidadania: práticas sociológicas e compromissos sociais. Porto Alegre: UFRGS Editora; 2011. p. 56-73.

Briceño-León RB. La nueva violência urbana de América Latina. Sociologias. 2002;4(8): 34-51.

Downloads

Publicado

2017-02-02

Edição

Seção

Artigos Originais