Sofia: narrativa de uma história de abandono e sequestro dos direitos de vir a ser

Adriana Oliveira Lanza Moreira Orsine, Kenia Lara Silva, Alzira Oliveira Jorge, Maria Odete Pereira

Resumo


Objetivo: Trata-se do relato da trajetória de Sofia que teve suas filhas gêmeas adotadas compulsoriamente. Analisa-se seu percurso nas redes do Sistema Único de Assistência Social em Belo Horizonte, MG, discutindo como o julgamento e os estereótipos criados nesta trajetória definiram a adoção.

 Métodos: Pesquisa qualitativa, do tipo interferência, delineado como estudo de caso, definido a partir da experiência e percurso de uma usuária-guia.

Resultados: O percurso de Sofia nos múltiplos pontos da rede foi atravessado por estabelecimento de vínculos, demandas, ofertas e desejos. O fato de ser mulher, negra, pobre, usuária de drogas, ter trajetória de rua, vínculos fragilizados ou rompidos, parece ter contribuído na construção de falas relativas às incapacidades e estereótipos acerca de Sofia.

Conclusão: A adoção compulsória foi resultado de um complexo processo que envolveu julgamentos sobre Sofia, sem considerar seus desejos, demandas e necessidades. As redes existentes foram limitadas para captar e apreender toda a amplitude e pluralidade das demandas apresentadas e para operar na produção do cuidado. Assim, os direitos de vir a ser de Sofia foram sequestrados com a adoção de suas filhas.


Palavras-chave


Pessoas em Situação de Rua; Assistência Social; Apoio Social; Adoção

Texto completo:

PORTUGUÊS


DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2018v4n1suplemp75-83

DOI (PORTUGUÊS): https://doi.org/10.18310/2446-48132018v4n1suplem.914g261

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