Práticas teatrais na saúde mental: novas possibilidades de cuidado por meio do Teatro do Oprimido

Vitória Amorim, Maria Lúcia Chaves Lima

Resumo


Esse ensaio tem como objetivo refletir sobre as possibilidades terapêuticas na oferta de práticas teatrais, a partir do Teatro do Oprimido, nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Argumentamos que tal modalidade teatral dialoga com a humanização da saúde mental, construída a partir da Reforma Psiquiátrica; bem como dialoga com novas perspectivas de fazer saúde, com a ampliação de práticas regulamentadas por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Apresentando as similaridades entres estes três tópicos – Teatro do Oprimido, Reforma Psiquiátrica, Práticas Integrativas e Complementares –, a análise permite observar que a troca de saberes entre as áreas da arte e da saúde permite a construção de um processo de intervenção e cuidado mais humanizado, que ultrapasse a intervenção focada apenas no transtorno, além de incentivar a construção de autonomia nos usuários. Desse modo, as atividades moldadas a partir do Teatro do Oprimido podem ser grandes aliadas terapêuticas no campo da saúde mental.


Palavras-chave


Saúde mental; Terapias complementares; Arte

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DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2021v7n3p%25p

DOI (PORTUGUÊS): https://doi.org/10.18310/2446-48132021v7n3.3385g782

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A revista Saúde em Redes (ISSN 2446-4813) foi classificada pelo Sistema Qualis-Periódico da CAPES no Quadriênio 2014/2016, período de sua criação, no estrato B1 na área de Ensino, no estrato B4 nas áreas de Enfermagem, Interdisciplinar, Psicologia, Saúde Coletiva e Serviço Social e no estrato B5 nas áreas de Geociências e Medicina II. A Saúde em Redes é indexada na Base LILACS.

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