O QUE REVELA A PRODUÇÃO CIENTÍFICA DA SAÚDE COLETIVA, APÓS DEZ ANOS DA LEI MARIA DA PENHA

Autores

  • Janaina Matheus Collar Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
  • Izabella Barison Matos

DOI:

https://doi.org/10.18310/2446-4813.2017v3n4p451-465

Palavras-chave:

Violência doméstica, Violência doméstica contra a mulher, Violência de gênero, Lei Maria da Penha.

Resumo

Este artigo faz a análise do que dizem os dois principais periódicos da Saúde Coletiva (Revista de Saúde Pública e Cadernos de Saúde Pública) após os dez anos da promulgação da Lei nº 11.340 de 2006 (Lei Maria da Penha/LMP).  Na sequência foi feita a revisão de literatura, estruturação e síntese dos principais resultados, que foram categorizados a partir do foco (a) perfis para as vítimas de violência doméstica contra a mulher, (b) perspectiva de atuação de profissionais da saúde e (c) o olhar integral. Essa tipologia permitiu refletir sobre avanços, desafios e o contexto da produção de conhecimentos frente à efetiva implementação da LMP. Um caminho identificado após a análise dos dados é que a violência doméstica contra a mulher não seja vista, em especial pelos profissionais de saúde, como um acontecimento isolado. O respeito a singularidade cultural exige um olhar ampliado. O serviço em saúde é parte, neste contexto, de uma rede em que outros serviços também devem compor. Para evitar uma colcha de retalhos (rotas críticas) seria fundamental a concentração de todo o aporte que congrega a LMP fisicamente em um único local, fazendo com que existam profissionais preparados e uma estrutura enxuta que possibilite um acolhimento inter e multidisciplinar, cuja potência está na soma dos serviços.

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Publicado

2018-03-18

Edição

Seção

Artigo de Revisão