TENSÕES NO CONCEITO DE SAÚDE A PARTIR DE NIETZSCHE - A GRANDE SAÚDE E A PRODUÇÃO DO CUIDADO

Autores

  • Hevelyn Rosa Machert da conceição Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense
  • Túlio Batista Franco Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense

DOI:

https://doi.org/10.18310/2446-4813.2017v3n1p63-69

Palavras-chave:

Cuidado, Conceito de saúde, Filosofia

Resumo

Este artigo interessa-se em problematizar a noção de saúde em relação a seus significados em referência ao conceito de grande saúde de Nietzsche. A partir de um percurso etimológico procuramos desnaturalizar esse termo que atravessa nosso cotidiano enquanto profissionais, acadêmicos e usuários de serviços assistenciais, a fim de colocar em evidência a que se liga a noção de saúde em seu plano de significação. Propomos a grande saúde como instrumento capaz de interpelar as noções de saúde de forma que se deem a ver as conexões que estas estabelecem com o sistema de valores no qual investimos. A oferta nietzschiana emerge, portanto, como fio tensionador do discurso científico hegemônico sobre saúde ao propor inventar passageiros valores e saúdes possibilitando a experimentação de outros modos de estar no mundo.

Biografia do Autor

Hevelyn Rosa Machert da conceição, Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense

Psicóloga pela Unesp, campus de Assis, e mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal Fluminense. Atualmente atua em uma equipe do Núcleo de Apoio à Saúde da Família no município do Rio de Janeiro.

Túlio Batista Franco, Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense

Psicólogo, mestre e doutor em Saúde Coletiva pela Unicamp. Pós-doutor em ciências da saúde pela Universidade de Bolonha-Itália.

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Publicado

2017-08-21

Edição

Seção

Artigos Originais