A desmaternização das gestantes usuárias de drogas: violação de direitos e lacunas do cuidado

Marcio Mariath Belloc, Károl Veiga Cabral, Carmen Silveira de Oliveira

Resumo


O presente artigo tem por objetivo problematizar as condições de gestação de usuárias de drogas em contextos de violência e alta vulnerabilidade social. Como método, utilizamos as narrativas da experiência do Projeto Redes (Fiocruz) na cidade de Porto Alegre. Os resultados apontam para uma série de lacunas no cuidado e proteção dessas mulheres, bem como de violação de seus direitos. Identificamos uma espécie de desmaternização conduzida e protagonizada intersetorialmente como causa e efeito de um modelo homogeneizante e excludente de sociedade. Algumas medidas específicas são recomendadas, tais como o desenvolvimento de programas de educação permanente e de supervisão clínico-institucional com equipes da rede de proteção que acompanham pessoas em extrema exclusão e invisibilidade social; a implementação de protocolos de cuidado entre a rede básica e maternidades e de forma articulada com a rede de assistência social; a criação de fóruns de discussão entre operadores do sistema de justiça e a rede de proteção para a revisão e pactuação de fluxos visando a garantia de direitos e o pleno acesso aos serviços.


Palavras-chave


Maternidade; drogas; direitos humanos

Texto completo:

PORTUGUÊS

Referências


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DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2018v4n1suplemp37-49

DOI (PORTUGUÊS): https://doi.org/10.18310/2446-48132018v4n1suplem.989g258

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